Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

...

Novo dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo português lançado na terça-feira, em Lisboa. O coordenador é Fernando Cabral martins.

 

publicado por ESA às 21:03
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

   

 

  O que penso eu do mundo?  
     Sei lá o que penso do mundo!  
     Se eu adoecesse pensaria nisso.

     Que idéia tenho eu das cousas?
     Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
     Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
     E sobre a criação do Mundo?

     Não sei.  Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
     E não pensar. É correr as cortinas
     Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

     O mistério das cousas?  Sei lá o que é mistério!
     O único mistério é haver quem pense no mistério.
     Quem está ao sol e fecha os olhos,
     Começa a não saber o que é o sol
     E a pensar muitas cousas cheias de calor.  
     Mas abre os olhos e vê o sol,
     E já não pode pensar em nada,
     Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
     De todos os filósofos e de todos os poetas.
     A luz do sol não sabe o que faz
     E por isso não erra e é comum e boa.

     Metafísica?  Que metafísica têm aquelas árvores?
     A de serem verdes e copadas e de terem ramos
     E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
     A nós, que não sabemos dar por elas.
     Mas que melhor metafísica que a delas,
     Que é a de não saber para que vivem
     Nem saber que o não sabem?

     "Constituição íntima das cousas"...
     "Sentido íntimo do Universo"...
     Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
     É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
     É como pensar em razões e fins
     Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores 
     Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

     Pensar no sentido íntimo das cousas 
     É acrescentado, como pensar na saúde 
     Ou levar um copo à água das fontes.

     O único sentido íntimo das cousas
     É elas não terem sentido íntimo nenhum.  
     Não acredito em Deus porque nunca o vi.  
     Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
     Sem dúvida que viria falar comigo
     E entraria pela minha porta dentro
     Dizendo-me, Aqui estou!

     (Isto é talvez ridículo aos ouvidos
     De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
     Não compreende quem fala delas
     Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

     Mas se Deus é as flores e as árvores 
     E os montes e sol e o luar,
     Então acredito nele,
     Então acredito nele a toda a hora,
     E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
     E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

     Mas se Deus é as árvores e as flores 
     E os montes e o luar e o sol,
     Para que lhe chamo eu Deus?
     Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; 
     Porque, se ele se fez, para eu o ver,
     Sol e luar e flores e árvores e montes,
     Se ele me aparece como sendo árvores e montes
     E luar e sol e flores,
     É que ele quer que eu o conheça
     Como árvores e montes e flores e luar e sol.  

     E por isso eu obedeço-lhe, 
     (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).  
     Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
     Como quem abre os olhos e vê,
     E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
     E amo-o sem pensar nele,
     E penso-o vendo e ouvindo,
     E ando com ele a toda a hora.

 

Alberto Caeiro 

sinto-me:
publicado por ESA às 19:17
link do post | comentar | favorito
Domingo, 23 de Novembro de 2008

As Facas poema de Manuel Alegre

 


Daniel Gasser, Frauenkorper

 

Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

 

Este amor é de guerra. (De arma branca)
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca
Quatro letras nos matam quatro facas.

 

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas
e em cada assalto sou assassinado.

 

Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas
.

  

 

 

sinto-me:
publicado por ESA às 23:44
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Manifesto Anti-Dantas

 

 

sinto-me:
publicado por ESA às 23:26
link do post | comentar | favorito

Viagem à terra do nunca

 

Assim que me deito não adormeço
Mas sim acordo
E desperto para um novo começo
A criatividade encarrega-se de me por a bordo
Dá-me alguns mapas e orientações
Mas de repente surgem algumas tempestades
Muita chuva e diversas complicações
Não existem qualquer tipo de facilidades
É preciso remar contra o sono e a desinspiração
 Não controlar a força do vento
E deixares-te guiar pela intuição
A força da corrente dar-te há um novo alento
 
E apesar da perfeição não passar da ilusão do criativo
A que ter ambição
Pois esta é que te manterá vivo
Enquanto navegares nos rios e nos mares da vida

Nessa busca eterna pela terra prometida 

 

 

Luís Perdigão

publicado por ESA às 23:06
link do post | comentar | favorito
Domingo, 16 de Novembro de 2008

Exposiçao Weltliteratur. Madrid, Paris, Berlim, São Peterburgo, o Mundo!

A expressão de Goëthe, associada ao verso de Cesário Verde, para mostrar a literatura portuguesa do Mundo, numa exposição singular que conta com o comissariado de António M. Feijó e a concepção dos arquitectos Francisco e Manuel Aires Mateus. Textos literários, documentos e obras de arte apresentados em 11 salas autónomas que mostram a literatura e os autores da geração de Fernando Pessoa.
sinto-me:
publicado por ESA às 00:15
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

...

Leilão/Pessoa: Duas principais peças do poeta arrematadas pelo preço base de 50 mil euros

13 de Novembro de 2008, 22:45

 

Lisboa, 13 Nov (Lusa) - O leilão das peças de Fernando Pessoa realizado hoje terminou com as duas principais peças, a arca do poeta e o dossiê Pessoa-Crowey, arrematados pelo preço base de licitação de 50 mil euros.

Vários lotes a leilão foram retirados por não terem oferta, enquanto outros não atingiram as estimativas apresentadas pela leiloeira, que calculava que o resultado final se fixasse nos 400 mil euros.

A abertura do leilão ficou marcada por um incidente com a Câmara Municipal de Lisboa, que apresentou uma providência cautelar relativa a 25 lotes, que acabou por ser suspensa por carecer de decisão judicial.

A edilidade exerceu no entanto o direito de opção à compra do contrato de arrendamento da casa do poeta, na rua Coelho da Rocha, que tinha sido arrematado por três mil euros, a base de licitação.

NL.

Lusa/Fim

publicado por ESA às 00:59
link do post | comentar | favorito

.Pesquisar neste blog

 

.Posts recentes

. Uma forma de arte inovado...

. Carlos de Oliveira

. ...

. ...

. ...

. Para saber mais sobre Ant...

. Para quem estiver interes...

. ...

. ...

. ...

.Estante de posts

. Maio 2009

. Abril 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Janeiro 2008

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.links

Em destaque no SAPO Blogs
pub